Toda a gente sabe que o aborto mata algo. Ninguém quer dizer o quê.

Um pai está a lavar a loiça quando o seu filho de 3 anos chega atrás dele e pergunta: “Pai, posso matar isto?”. O que achas que ele vai dizer? Bem, depende do que for “isto”. Se for uma barata, provavelmente é o próprio pai que a vai matar. Se for o peixe de estimação, certamente que o pai vai-lhe pregar um raspanete. Se for o irmão recém-nascido, o recomendável é o pai levar o filho a uma consulta de pedopsiquiatria.

A moralidade de matar alguma coisa depende do que é que essa coisa é. E quando estamos a falar de aborto, não há ninguém que possa dizer que não se está a matar algo. O próprio dicionário Priberam define o aborto como:

“Expulsão de um feto ou embrião por morte fetal (...)”


Então o que é que se está a matar num aborto? O que é um embrião/feto? Vamos ver por partes:

  1. É algo que está vivo. Se não estivesse vivo, não podia ser morto. Além disso, cresce, multiplica-se, desenvolve-se, etc… Mas as plantas estão vivas, e ninguém faz manifestações contra o genocídio de alfaces. As bactérias também. Então, vamos perceber que “tipo” de coisa viva é aquilo que se está a matar num aborto.

  2. Esse algo é vivo e humano. Tem DNA humano. Além disso, se o filho de um cão é um cão, um filho de um humano é um humano. Mas há várias coisas vivas e com DNA humano que nós matamos sem problemas de consciência. Ninguém faz funerais quando se retiram tumores cancerígenos. É ridículo achar que o sexo é um genocídio porque morrem milhares de espermatozoides. Então qual é a diferença de um espermatozoide e um embrião?

  3. Esse algo é um organismo humano vivo. Se deres o ambiente ideal, nutrientes e tempo a um espermatozoide, o que é que acontece? Nada. Eventualmente desintegra-se. O que é que acontece se fizeres o mesmo com um tumor? Bem, cresce e multiplica-se, mas nunca deixa de ser um tumor. Se fizeres o mesmo com um embrião, inevitavelmente ele torna-se um membro adulto da sua espécie. E isto acontece porque, ao contrário do tumor e do espermatozoide, o embrião é um organismo. Desde o momento da fertilização estamos perante um indivíduo único da espécie humana.

 

Ou seja, no fundo, a discussão do aborto é uma discussão sobre se podemos matar seres humanos inocentes.

O lado pró-vida diz que todos os seres humanos inocentes devem ser protegidos, independentemente das circunstâncias.

O lado pró-escolha diz que há determinados seres humanos que podem ser mortos, dependendo das circunstâncias.

 E isto é algo que nem os grandes intelectuais pró-escolha negam. Muitos reconhecem que não há dúvida nenhuma de que o aborto é a morte intencional de um ser humano biológico. Mas dizem que esses seres humanos biológicos não são “pessoas” como eu e tu.

 Para explicar a sua posição, o ativista pró-escolha vai usar um ou mais destes quatro critérios:

  • Tamanho: É minúsculo e mal se vê 

  • Nível de desenvolvimento: É apenas um monte de células, ainda não tem os órgãos desenvolvidos, não tem consciência, não sente dor… 

  • Ambiente: Está no útero da mãe

  • Dependência: Está dependente da mãe.


Relembro aquilo que o ativista pró-escolha está a fazer: está a usar estes critérios para dizer que é moralmente lícito matar um ser humano. Agora eu pergunto-te: achas que o tamanho de alguém é um critério válido de valor moral? Um prematuro de 500 gramas cabe na palma da mão. Ninguém diria que esse prematuro vale menos que um adulto de 80 quilos. O tamanho nunca foi um critério de valor moral. Porquê começar agora?

E porque é que vamos basear o valor moral de alguém com base no seu nível de desenvolvimento? E onde é que traças a linha? Se o critério for “desenvolvimento suficiente”, tens de explicar onde está a linha, e qualquer linha que traças é arbitrária. Além disso, o desenvolvimento não é um estado, é um processo contínuo. Não há nenhum momento mágico entre a fertilização e a idade adulta em que algo radicalmente novo aparece, há apenas graus de um mesmo processo. 

Parece-me claro que é igualmente absurdo dizer que o ambiente em que alguém se encontra afeta o seu valor moral. A única coisa que muda quando um feto sai do útero é a sua localização. Isto é algum critério para tirar direitos a um ser humano? E sim, eu sei que um feto fora do útero morre, mas acontece-te o mesmo se fores parar ao fundo do oceano. O ambiente ideal do feto é no útero. O teu ambiente ideal é em terra firme.

Finalmente, a dependência também nunca foi um critério para retirar direitos a outros seres humanos. Um bebé prematuro é dependente de máquinas, e é por isso que recebe um cuidado especial. Um idoso eventualmente torna-se dependente de outras pessoas. Se adoeceres e ficares dependente de outros, perdes direitos?

Aquilo a que eu quero chegar é que os critérios que costumam ser usados pelo lado pró-escolha não se sustentam a si próprios. Quando analisas bem, não são aplicados de forma coerente e percebes que são arbitrários.


Uma Luta Pelos Direitos Humanos

Se olharmos para a história da humanidade, vemos que todos os grandes abusos acontecem quando se define que alguns humanos têm menos direitos que outros. 

No Holocausto, os judeus eram chamados de “vermes” e, apesar de serem humanos, não eram “pessoas” como os outros. No Afeganistão, as mulheres são consideradas “fontes de corrupção” e, por isso, têm menos direitos que os humanos do sexo masculino. Durante a escravatura, milhares de seres humanos não eram tratados como “pessoas”, eram propriedade.

Hoje, em Portugal, és preso por “crimes contra a vida intra-uterina” se matares um feto antes das 10 semanas sem autorização da mãe. Mas um médico que faz exatamente a mesma coisa, mas a pedido está apenas a garantir “direitos reprodutivos”. Existem dois tipos de humanos em Portugal. Os desejados, que são protegidos pela lei, e os indesejados, que são tratados como “montes de células” ou, pior, como “parasitas”.

O resultado desta tragédia é este: 1 em cada 7 pessoas da geração alfa foram mortas nos ventres das suas mães. 

Parece-me claro qual é o lado certo da História. E tu? Queres ficar de que lado?

Se quiseres fazer a diferença e salvar dezenas de milhares de bebés, desafio-te a ir à Marcha Pela Vida no dia 21 de março. Segue a nossa página no Instagram e/ou entra neste grupo de WhatsApp para estares a par de tudo.

Os direitos humanos são para todos os humanos.


Nuno Marques Afonso

21/02/2026

Dia de S. Pedro de Damião

“Livra os que estão destinados à morte e poupa os que vão a cambalear para o suplício.”